Resenha: A pérola que rompeu a concha - Nadia Hashimi

sexta-feira, 29 de junho de 2018




"Animada, comecei a correr mais rápido. Ninguém me olhou duas vezes. A sensação era de que minhas pernas estavam livres, em disparada pelas ruas sem que meus joelhos batessem contra a saia e sem me preocupar com olhares de repreensão. Eu era um rapaz e parte de minha natureza era correr pelas ruas."




Título: A pérola que rompeu a concha
Autor: Nadia Hashimi
Páginas: 448
Editora: Arqueiro
Lançamento: 2018
SKOOB
Compre: Amazon
Classificação: 5/5 + Favorito







Estamos em meados de 2018 e e já tenho mais um favorito!
Além de uma autora que amei conhecer e admiro demais!

Em seu romance de estréia, Nadia Hashimi, nos apresenta uma história incrível, emocionante e inspiradora, sobre a luta das mulheres no Afeganistão.


Rahima vive com seus pais e irmãs em uma aldeia, dominada pela opressão do Talibã. Seu pai é um viciado em ópio. Sua mãe, sofre as humilhações pela família do marido e sociedade, por ser mãe apenas de meninas e não ter abençoado a família com um filho homem.
Rahima e suas irmãs não podem ir à escola, seu pai não permite que as meninas saiam sozinhas.
A única esperança para elas é o "bacha posh", um antigo costume afegão, em que uma jovem pode se vestir de menino e se comportar como tal, até chegar à puberdade. E Rahima é a escolhida entre as irmãs para viver como uma bacha posh e experimentar a liberdade de ser um menino.

Paralelamente, conhecemos a história de Shekiba, trisavó de Rahima. 
Shekiba ficou órfã muito cedo e precisou se virar sozinha e para isso também "virou um menino". Com uma vida de sofrimento e renúncia, ela enfrentou muitas provações ao longo de seu caminho.

Com história muito parecidas, essas mulheres fortes e extraordinárias, apesar de separadas por mais de um século, percorreram caminhos de privações, dores, perdas, sofrimentos, mas buscaram com coragem, a liberdade e o controle de suas próprias vidas e quem sabe até mudar o destino.



Que livro!

Esse livro poderia muito bem ser chamado " Mulheres que sofrem". Li cada capítulo com o coração apertado, por saber, que apesar de ficção, essa história se repete em várias casas no Oriente Médio.

"A pérola que rompeu a concha", nos apresenta temas extremamente importantes, como política, casamento infantil, desigualdade de gênero, violência contra a mulher, entre outros. E nos conquista com a força de personagens incrivelmente reais, fortes e inspiradoras.

Fiquei devastada com essas histórias, mas também encantada com a força dessas mulheres.


"Cada gota de conhecimento faz algum bem. Olhe para mim. Tenho sorte de saber ler. É como uma vela em algum quarto escuro. O que eu não sei, posso descobrir sozinha. É mais fácil enganar alguém que não é capaz de descobrir as coisas por conta própria."


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